” Da dor ao Prazer. Entenda um Pouco mais do Mundo do Sadomasoquismo ”

O BDSM, sigla para bondage, disciplina, dominação, submissão, sadismo e masoquismo, está relacionada principalmente ao fetiche. O sexo e o prazer, segundo os adeptos, é consequência

Roupas de borracha, chicotes , algemas, olhos vendados, mordaças, coleiras, entre outros “toys”. Para a maioria pode lembrar algum tipo de filme, mas para os praticantes do BDSM – sigla para “Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo” – cada um desse acessório tem sua função específica, e devem ser usados em momentos corretos.

O estudante de publicidade e propaganda Be Rumão é praticante do BDSM, e tendo vários textos publicados em seu site. Ele explica que, ao contrário do que muitos pensam, o BDSM não é uma prática voltada ao sexo, mas sim em primeiro lugar, aos fetiches, e a uma filosofia de vida. Ou seja, o sexo não é o objetivo durante a relação. “O sexo é apenas um fim, que pode ocorrer ou não”, diz ele.

Na prática existem classes: os dominantes, e os submissos. E no momento da relação, também é chamado de cena. “Eu sempre considerei como um ‘teatro’, pois mesmo que tenhamos uma filosofia e um entendimento, quando estamos praticando, encaramos aquilo como uma cena, porque não tem como estar nesse momento BDSM o tempo todo do seu dia, por exemplo”, explica Be Rumão.

Indo mais a fundo, Be explica que o BDSM é um tipo de relacionamento como qualquer outro (este podendo ser amoroso, ou não), mas entram em cena inúmeros fetiches ligados ao erótico, que, em relações “comuns”, são pouco praticados. Vale ressaltar: apesar da infinidade de possibilidades ligadas ao prazer, um dos preceitos mais importantes e fundamentais da prática é o SSC, sigla para “são, seguro e consensual”. Sendo assim, os parceiros devem estar cientes de tudo o que pode rolar e seguros do que querem e aceitam. “Nas relações BDSM geralmente existem contratos – não válidos juridicamente – mas respeitados, já que tudo o que o submisso quer e deseja, assim como todos os outros limites estão ali” diz ele.

PREPARAÇÃO

Outro ponto interessante apontado por Be é que geralmente os limites são estabelecidos pelo submisso. Dessa forma, cabe ao dominante incitar sempre de maneira saudável. E justamente por isso, o dominante deve estar sempre atento a saúde física e mental daquela pessoa.

“Deve-se estar atento, preparado e, acima de tudo, sempre fazendo exames, porque lidamos com fetiches, e alguns deles exigem dos praticantes conhecimento. Porque, por exemplo, você não pode amarrar uma pessoa, se não sabe se ela tem algum problema de circulação”, exemplifica o estudante.

“SUBMUNDO”

Os praticantes do BDSM estão sempre cientes sobre a origem de cada um dos movimentos na cena, porém, como suas origens vem de atos que não são bem recebidos pela sociedade, muitas vezes, a prática ainda é marginalizada, e vista com algo “oculto”. “O BDSM tem preceitos antigos, pois seu processo histórico abrange partes de uma ‘história oculta’ na sociedade, como elementos usados na escravidão, por exemplo. E também porque não é romântico como o filme 50 tons de cinza ”, diz.

O TRABALHO

No BDSM também é entendido duas correntes de pensamento, uma de quem leva a prática como uma filosofia, e outra de quem encara como um trabalho. “É muito praticado, e normalmente os clientes desses dominantes são pessoas com muito dinheiro, e que não querem ser identificadas, por isso, pagam por sessões avulsas. Além do pagamento, também é comum dar presentes ao dominante, já que ele se torna alguém especial, ou porque aquilo pode até fazer parte do fetiche”, finaliza o estudante.

OS CONTRATOS

Os contratos feitos nas relações BDSM são firmados como um acordo de termos entre os parceiros, feitos sempre para garantir a segurança dos envolvidos, e também resguardar o dominador, já que o submisso conta com a legislação do próprio código penal, caso haja algum problema. “Em casos de processo, o dominador poderia ser acionado judicialmente como um agressor, e acionado até mesmo criminalmente, já que muitas vezes a relação costuma deixar marcas. Então você acaba resguardando essa pessoa. E, em suma, o contrato talvez não impeça um processo, mas o dominador pode apresentar como prova para mostrar que o ato foi consentido”, explica o advogado Marcos Cesar.

A DOR E O PRAZER

O termo sadomasoquismo nada mais é que a junção de duas palavras, sadismo e masoquismo, em que, o primeiro se refere ao ato de infringir dor, e o segundo ao ato de sentir dor. No BDSM esse conceito são levados ao erotismo, e interpretados no âmbito sexual. A psicóloga e sexóloga Marlene Santos salienta que essas denominações podem representar vários caminhos, inclusive, saem do campo sexual e do prazer, e entram em práticas da rotina. “O fato de uma pessoa ser sádica ou masoquista é resultado de como ela foi conduzida e construída na sua história familiar. E existem inúmeras possibilidades, você pode ter um masoquista que não goste de sentir dor física, mas, ao mesmo tempo, se entrega a uma paixão, e sofre, por exemplo. Já no sádico, o prazer está em causar dor, e esta pode ser física, ou emocional”, esclarece a psicóloga.

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